O meu amigo plantou uma vinha numa bela colina,
Promessa fervente de frutos frescos, que semeou para mim.
Saiu depois pelas ruas, procurando-me nos dias cinzentos,
Nas noites escuras onde me perdi.
E me encontrou por fim
Trabalhador de ultima hora, ocioso,
Tão cheio de mim que nem o vi.
E o meu amigo me procurando: Vem para a minha vinha. Preciso de ti.
Na vinha do meu amigo todos têm o seu espaço, pobres e ricos, homens e mulheres de todos os credos e cores,
Os filhos mais fiéis e os pecadores.
Todos chamados, livres, felizes, unidos pelo mesmo abraço,
E um mesmo amor incondicional:
O amor do Pai que nos convida para a sua vinha e acolhe a todos por igual.
Por isso te hei de louvar, Senhor da Vinha todos os dias da minha vida.
Na alvorada te direi: aqui estou.
Trabalharei no teu campo, beberei do teu vinho, comerei do teu pão,
E à noite cantarei a alegria de ser teu servo escolhido,
teu filho amado, partilhando tua Paixão,
e em paz descansarei, por fim, agradecido.

Olinda Ribeiro