“26 de Dezembro. As luzes já não brilham, as canções da rua emudeceram,
os papéis das prendas já estão na lixeira,
os brinquedos arrumados nas prateleiras,
a árvore de natal na garagem,
o presépio embrulhado em jornais na mesma caixa para o ano que vem.
As campanhas de Natal já não nos surpreendem à porta dos supermercados,
os pobres na rua já não despertam as mesmas emoções.
Ainda bem que tudo terminou.
E Jesus? Será que nasceu? Onde esteve todo este tempo?
Os noticiários falaram dele? As nossas vidas foram transformadas?
As crianças continuam a morrer nas praias da Turquia,
nas águas frias do mar, nos escombros de uma casa na Síria.
‘Que maçada! Falarem disto nesta altura, em que estávamos tão bem.’
‘Que tenho eu com isso?’
‘Que posso eu fazer? Não fui eu que fiz a guerra, nem vivo lá perto.’
Irmão,
Só teremos Natal quando todas as mesas tiverem pão
E em todas as casas houver água pura para beber.
Só teremos Natal quando as túnicas continuarem a ser partilhadas e todos tiverem um teto para se cobrir
Quando se destruírem as fronteiras e todos tiverem o seu lugar para viver,
Onde todos se sintam amados e todas as crianças possam crescer livres e sorrir
Só teremos Natal quando ninguém ficar perdido no silêncio esmagador de um quarto ou numa cama de hospital morrendo, esquecido, em solidão
Quando formos luz e esperança para os que vivem esmagados pela culpa no abandono de uma prisão
Quando cada homem, na vida e na morte seja sentido, de verdade, como um irmão
Só teremos Natal irmão, irmã, quando o nome de Deus não for causa de guerras, ódios e divisão,
Mas antes justiça, liberdade, paz e união.
O Natal de Jesus é uma tarefa que só tu e eu, com o Senhor, podemos realizar
Um dom de Deus que devemos acolher e partilhar
Deixa o teu conforto, irmão, vem daí
Vamos espalhar sorrisos e pão, abrir as fronteiras que nos fecham o coração e não nos deixam perceber
Que, em cada bote, em cada casebre, batendo à nossa porta, procurando um lugar na nossa vida, é Jesus menino que quer de novo nascer.”