Faltam dois dias, e assim o penúltimo testemunho em antevisão do 38º aniversário é, num registo mais pessoal, o da Joana Abreu, que nos conta a sua experiência no grupo:

“No Adonai, entrei menina, tornei-me uma mulher e saí mãe.

15 anos da minha vida foram no Adonai.

Entrei menina…

Não tinha passado um mês de ter feito 15 anos e nesse fim-de-semana celebrava-se também os 15 anos de vida do Grupo Adonai. A primeira música que ensaiei: “Festa da vida”, cântico de entrada da eucaristia celebrativa dos 15 anos. Nesse ano, o Adonai tinha decidido fazer um sarau cultural para os idosos do Lar da Santa Casa da Misericórdia. Fui assistir e fiquei deslumbrada com imensidão de atividades: folclore, música popular, dança, coral…

Entrei no Adonai porque desde sempre conheci o Adonai. Os meus primos mais velhos tinham pertencido ao grupo e a minha prima (quase irmã) Raquel Menezes também cá andava. No início senti-me “pequenina”, envergonhada e senti-me um pouco um “peixinho fora de água”. Lembro-me das assembleias gerais repletas de pessoas sentadas em bancos de madeira pequeninos e o Tone lá atrás a fazer os seus comentários. Mas com o tempo fui-me adaptando. Para isso muito contribuíram os assistentes do Grupo Adonai e as pessoas mais velhas…

O orgulho que senti pelo facto do Frei Pojeira nos ter dado os parabéns por um esquema da Eucaristia bem conseguido, mas que tinha sido preparado pelos mais novos. O Hugo Fernandes a ensaiar o grupo coral no salão da casa velha e, de repente, manda calar todas as pessoas, e mandar cantar só os mais novos. E cantamos muito bem!

Passei também por momentos caricatos… Quando saímos pela janela da casa dos parentes do Fr. Pojeira em Óbidos para ir para a praia às 6h da manhã e a cara dos mais velhos quando chegámos. Lembro-me perfeitamente da cara da Susana Fernandes a perguntar onde tínhamos ido. Acho que no ano seguinte, foi o frei Pojeira a sair pela janela para fazer a ronda e ver quem se portava bem… ou não…

Tornei-me mulher…

Com o passar dos anos, as responsabilidades no Grupo Adonai foram crescendo… Muitos anos escrevi atas. Os cargos na Assembleia Geral ocuparam-me durante vários anos… Parecia que tinha queda para isso. As pessoas que constituíam o Grupo Adonai chamaram-me ao dever de coordenar o Grupo Adonai, fazendo parte da Comissão Coordenadora. Durante anos, tive tarefas que não quis fazer, mas tive que fazê-las, reforcei junto de muitos elementos o que é SER ADONAI. Resmunguei muito, chorei muitas vezes, apeteceu-me bater com a porta umas tantas vezes mas cresci muito.

Ajudou-me muito nestas tarefas, o Frei Manuel Pires. O frei Manuel foi um assistente que marcou, de forma significativa, a vida do Grupo Adonai e a minha vida também. Franzino, sempre de sorriso nos lábios, é um acérrimo defensor dos jovens e do nosso grupo, em particular, e senti, muitas vezes, o imenso afeto que ele sente pelo Adonai.

Também ri imenso… Haviam de ver as caras dos mais novos a serem praxados em Montalegre pelos mais velhos… E a serem “barrados” com a lama junto da bica e condecorados com cabeças de galinha ou patas de frango.

E o nosso cansaço? Era imenso quando ficávamos a preparar o auto de natal e todo o cenário até às 5 manhã do dia 24 de dezembro ou a preparar tudo, até ao último momento, as marchas que organizamos nas Festas de Sto. António. Mas tudo valeu a pena…

25 anos do Grupo Adonai foi marcante na vida do Grupo Adonai: imensas atividades, uma comissão organizadora composta por antigos e atuais elementos (da altura). Tenho muito prazer em dizer que fiz parte dessa equipa.

Uma equipa que trabalhou imenso para ser um ano fantástico: encontro de coros, palestras, encontro de jovens relacionados com os franciscanos capuchinhos, marchas, festival arciprestal da canção jovem. Neste festival, o Adonai foi o 1º classificado e eu, apresentadora de serviço, não consegui disfarçar a imensa alegria de dizer que o vencedor tinha sido o MEU grupo. Foi maravilhoso…

Tornei-me mulher e conheci o Lúcio Lourenço, o meu marido … E muitas vezes discutimos sobre o futuro do NOSSO GRUPO ADONAI. Juntos, trabalhamos muito, por este grupo. E por isso sentimos imensa alegria em termos feito parte da história do Adonai. Foi neste grupo que, no dia 25 de Setembro de 2004, casámos e sentimos um aperto no coração e uma comoção infinita quando a Clara Rosa, a Rita Ribeiro, o Fernando Lopes e a Patrícia Rosa nos associaram os dois, um só, a partir desse dia, como alguém que mudou a vida do Adonai e que o Adonai mudou as nossas vidas.

Saí mãe…

Os dois últimos anos foram diferentes. Tinha-me comprometido a sair quando fizesse 30 anos. E queria cumprir. O meu tempo estava a terminar… Carregando no ventre a Mariana, marcou-me profundamente ter encarnado o papel de Maria no dia da Imaculada Conceição. Realmente carregava o meu menino Jesus, no seio, mas que afinal era uma menina…

O último ano foi mais difícil, com a Mariana bebé tudo era diferente, mas lá ia sempre que podia ao meu querido grupo. A Mariana era o nosso menino Jesus. Ainda agora, com oito anos diz que é do Adonai… E o Francisco vai pelo mesmo caminho… E são… são os meus Adonaizinhos…

Uma das últimas assembleias, foi um momento bastante marcante quando, após duas voltas, não havia presidente e cheguei mesmo a pensar se não teria de ficar mais um ano no Adonai. Apelei à coragem dos mais novos e lá conseguimos uma Presidente. Nunca mais esqueço esse dia… E acho que os demais presentes também não o esquecem.

Quando me vim embora, não escrevi carta de despedida, por acho que não conseguia escrever uma única palavra e, se escrevesse, a carta ficaria encharcada com tantas lágrimas a escorrer-me pela face de saudades.

O Adonai ensinou-me a amar Jesus de forma diferente.

O Adonai ajudou a tornar-me a pessoa que sou hoje.

O Adonai mudou a minha vida…”

Faltam 2 dias!